'Max Payne' erra o alvo na adaptação dos games para o cinema


Ao entrar no cinema para assistir a "Max Payne", não se culpe por não ter jogado nenhum dos dois capítulos da série dos games - afinal, nem o protagonista Mark Walhberg ou o diretor John Moore parecem tê-lo feito. Se o fizeram, não passaram do menu de instalação - o que talvez explique a inconsistência do filme quando comparado ao jogo de 2001 que, ironicamente, entrou para a história com seu "clima cinematográfico" e referências de Matrix a John Woo.

Faltam ao filme a personalidade do detetive da polícia de Nova York movido a vingança e todos os fatores que fizeram dele um herói único nos games: frases de efeito que lembram o melhor da literatura policial, ironia nos momentos certos e uma complexa perturbação mental diante do cenário de conspirações e perda de esperanças em uma pequena maratona de tiroteios espetaculares nos becos da Nova York. Sobram motivos para os leigos em videogame olharem com desconfiança para esse meio já pouco compreendido fora da salinha de jogos.

O roteiro do filme é baseado no primeiro jogo, mas toma a liberdade de omitir a família Punchinello, ponto central do game, e rever o papel de alguns coadjuvantes, como Mona Sax (Mila Kunis) para substituir o que era um "labirinto de traições mafiosas" por um "espetáculo visual de uso da droga Valquíria".

Max tem a mulher e a filha assassinadas por viciados que invadem sua casa. No filme, ele não consegue deter um dos invasores, e passa três anos recolhendo pistas no próprio departamento de polícia em que trabalha, até achar algum sinal para partir em vingança.

A ambientação de Nova York mostra, ao menos, que o "inferno congelado" foi bem recriado visualmente. Tudo é cinza, os prédios são escuros e a neve só desaparece em poucos momentos, para dar lugar a uma chuva pesada. Talvez para evitar comparações com "Sin city", o visual de graphic novel presente em trechos narrativos do jogo foi evitado no filme.

Nos games, "Max Payne" é sinônimo de conspirações mafiosas, diálogos cortantes, narrativa impecável e muita ação. No cinema, reduziram o peso de Max e optaram pelo espetáculo visual, que, ainda assim, só valoriza algumas seqüências do longa. Até mesmo os trechos de tiroteio parecem ter sido estudados para valorizar vidros quebrando e papéis voando, sem muito compromisso com a intenção de cada sujeito ao apertar um gatilho.

Depois de assistir ao filme, resta recuperar os dois jogos da série para tentar entender como um dos melhores jogos policiais da história se perdeu em um filme sem personalidade. Na pior das hipóteses, você vai estar envolvido em uma Nova York cheia de metáforas memoráveis proferidas por um Max Payne implacável (e que atira com a mão direita mesmo).

Esta ai né, mais um Filme que os caras pegaram e em vez de aproveitar o melhor... conseguiram fazer uma aparente bagunça. Apesar de como ja diziam, ou você é critico ou é inteligente, prefiro ver o filme e depois ter minha ideia, se é bom ou Ruim.

Alguem ai ja vio???

"Max Payne"
Terça-feira (28), às 14h, no Cine Bombril 1 Quarta-feira (29), às 18h40, no Espaço Unibanco Pompéia 1 Quinta-feira (30), às 19h30, no Espaço Unibanco Augusta 3


Lembrando Isté é em São Paulo.

Um comentário:

Diogo disse...

Po eu curto muito este jogo, quero s ver que bicho vai dar.